quinta-feira, 3 de maio de 2012

Reencontro em Luz

Perdi a mim
Num divagar sem fim
Acreditei que algo poderia transformar
O que não parecia forte
Suficiente pra existir
Que não era aceitável para os demais
Nem era forte pra mim

O tempo mostra o inverso
O que já é
Revive intenso
Pois sempre viveu dentro
Em espaços desconhecidos
Simplesmente
Desabrocha como flor do campo
Já que ali sempre existiu


O jardim floresceu
No  coração
Alimentando a solidão
De existir por si
Nada foi preciso para vê-lo florir
Apenas abrir os olhos
E ver o novo alvorecer
Como todos os dias
Em luz



terça-feira, 20 de janeiro de 2009

DE QUEM É ESTA TERRA?

De quem é essa Terra onde semeio amor
E brota a infinita sabedoria que inspira o meu viver?
De quem é essa Terra que ao pisar com passos firmes
Ouço seu sussurro de prazer
Entre o constante pulsar das veias
Invisíveis vasos que como rios deságuam em mim
Transformando-me num oceano de sons
Que expressos em único tom
O chamo de ser?



De quem é esta Terra que quando riquezas
Seduz nobrezas de todas as missões
A convencerem os puros e inocentes
Que o bem não está entre a gente
Deformando-nos para alcançar
O que parece estar tão distante?



De quem é esta terra que quando em miséria e tristeza
Não encontra uma realeza
Que possa ordenar a tapar os buracos
Por onde penetram nocivos raios
Que a vida pode mutilar?

De quem é esta Terra
Que solta no espaço
Girando em seu próprio eixo
Ainda encontra quem queira a comandar
Mantendo as sujas bocas abertas
Que além de sujarem o mundo
Despejam fumaças em canudos
Que podem nos sufocar?




De quem é esta Terra que treme o solo
Alertando os povos que vivem a guerrear?

De quem é esta Terra que alimenta sem distinção
A todos que precisam, a cada dia, extrair o próprio pão?

De quem é esta Terra
De um Deus que não parece justo porém em exatidão
Não livra ninguém de se sentir culpado
Ao ver tamanha destruição?


Esta Terra é Deusa
Esta terra é mãe
Soberana e sem dono
E sem diferenciar nenhuma obra da criação
Oferece a todos o seu mais nobre fruto
O PODER DA TRANSFORMAÇÃO

Esta Terra é minha
Esta Terra é sua
É força de purificação
E ao pisarmos com os pés no chão
Em dança pela liberdade
Estaremos gritando
Aos loucos que pensam ser donos do mundo
Chega de tanta destruição!

Ouçam a voz que brota do coração

Encontro dos Povos da Chapada dos Veadeiros em Alto Paraíso maio/2005

sexta-feira, 4 de julho de 2008

ASCENDENTE SERPENTE

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Acuado pela noite escura
Um coração apertado temia se dar
Reconhecendo a direção que iria
Ao deixar-se em sentimento
Seguir o fluxo do vento

Sem saber se encontrará alento
Vive em adiamento
Para o sagrado amor alcançar

Duvidas incitam o pensamento
Sem definitiva resposta
Segue fingindo, doendo, detendo

Prende o fluxo
Força comportas
Energia sem rumo entorta
A ascendente serpente que é a rota
À alma que o corpo exorta

Poetizo a fúria da mente
Falsa soberana impotente
Não resistirá ao amor real
Que surgiu na eternidade
Aonde não existe
A posse carnal




TUBO FLUÍDICO

Olho em volta
Vejo o caos
Chego ao meio
Enxergo a ordem

O melhor é ver
A olhos nus
O nu dos olhos
É luz!

Refletido céu
Oceano angelical
Mar de estrelas
Planetas e nebulosas

Negro é o buraco
Escoando à renovação
Nova dimensão

Tubo fluídico
Escorre o fluido universal
Em evolução e revolução
Duplo sentido
Ao eterno destino
Ser

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TRATO COM O ACASO

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Vou fazer um trato com o acaso
Registrarei em meu ventre
O momento propício a unificação

Daquela que quer com a que já tem
Daquela que pergunta com a que sabe a resposta
Daquela que busca com a que já alcançou

Não busco mais motivos para o amor
Se é assim que eu sou
Não importa se falhei
Agora sinto o pleno vapor

Penetra as narinas
Preenche meu peito
Alcança meu ventre
Alimenta minh’alma

Pura no fluidez no sentir
Falar, cantar e dançar
Reverenciar a sábia mulher
Deusa, vida em consciência

Quem eu fui
De onde eu vim?
Entre trevas e lucidez
Eu parei
E encarei o mundo assim
Tudo está dentro de mim

E se agora sinto conflito
Com alguém ao meu lado
É porque aqui dentro
Está apagado

Quero mais do que uma sombra
Eu quero o fato
O ato de envolver-te em longos abraços
De braços alados, em sons ritmados
Se medo ou desmerecimento de amar
E ser amada


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MEDITANDO NA ARTE

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Poesias
Antes em palavras frias
Não embalavam em si
A divina melodia
Nem entoava ao som do universo

Hoje em versos expresso
No inverso
Ao silêncio que cala
Soam movimentos da aura
Novos ritmos internos

Restabeleço a fala
Em cores e sons diversos
Inteira agora declaro
A multidimensionalidade do Ser.

Incandescente
Ouço cantos
Verdades soam nuas
Alcançando a alma pura
A fazendo estremecer

E meditando na arte
Mergulho em todas as faces
Revelo então uma parte
O que sei transparecer

.

QUEM FUI

Não quero lembrar quem eu fui
Basta-me saber quem sou
O passado remete-me a uma dor tão profunda
Imobiliza meus atos
Rasga meu peito como um punhal
Remete-me à dor que senti
No exato momento em que travei o ar
Eternizando a compaixão
Ao te ver na culpa

Agora vejo a mesma ignorância
Tentando destruir a lucidez divina
Modifico-me em atos para não ver repetidas cenas
Quero interromper a história de heróis sofridos
Não darei orgulho a nenhuma nação
Não endossarei nenhuma religião
Sequer terei lar ou ditarei caminhos
E se um dia seguirem meus passos
Haverão de tornar belo tudo que for possível
Narrarão suas histórias em poemas
Encontrarão o sentido lúdico da criação
Para vivenciarem a luz suprema
A chama eterna
Que jamais se extinguirá

Cantarão em alegria
Eu sou!
Sentir-se-ão imortais
Com a sensibilidade de uma flor
E ao murcharem na aridez do desamor
Esperarão como eu
O orvalho da noite

É o amor da mãe natureza
Compensando o seu
Que há muito se esqueceu

De uma forma ou de outra
Farei o que me cabe
Lembrarei que há um meio
Para alcançar a verdade
Elevar-se ao tempo
No amor
Em igualdade


O orvalho da noite da noite brilha na luz do luar
Quem acredita em sereia sabe os segredos do mar

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VOLTA AO MUNDO

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Eu não vim aqui para dizer não a nada
Eu não vim aqui para dizer não a ninguém
Eu entendo a inércia que faz viver
Buscando a verdade que satisfaz

É preciso estar atento
À realidade existente
Entre o sim e o não
Entre o feio e o bonito
Entre o rico e o pobre
É preciso ter muita atenção
Para não se sujar com tanta podridão

São presidentes que caem
Outros que sequer levantam
Continuam dando chances
Às ordens do império
Um império que pouco se importa
Nos dão a receita torta
E fazem o gigante adormecer

E eu pergunto:
Isso é mesmo real?
Distraído ninguém se revolta?
Ei, acorda!
Somos mais que campeões
A Terra é uma só nação

Esta mensagem te desperta?
Você sabe e eu sei disto
Mas não é isso e nem aquilo
É o que você captar
Enquanto isso medito
Dou a volta ao mundo
Sem nem sair do lugar

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MUNDO ANIMAL

O patinho feio saiu
Viu-se cisne no espelho e curtiu
Apaixonou-se e nunca mais voltou

Do outro lado do mundo
Um cisne emergiu
No espaço mundano se refletiu
Ignorado amaldiçoado sofreu

Ao meditar percebeu
O espelho do mundo está imundo

O patinho feio e o cisne sou eu
É você a criança o mestre
A cobra o quadro o céu

Quem tem consciência disto ?
Aqueles que querem limpar o espelho do mundo
Quebrar os muros e amar profundo

E ao me ver perdida
Neste caminho te engoli
Oh, lindo pássaro!
Eu já posso voar!
Encontrei em ti um alimento para a dor
Agora sei
A morte em vida cura
É o amor

Agora estamos juntos
Horas sigo por você
Horas segues por mim
Una presença assim
Permite o caminho ao sem fim.

Faço então uma pergunta:
Deus dá asas à cobra?

Ouço logo a sua resposta:
A Deusa dá!

MEDIOCRIDADE

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Parece medíocre
Viver de alegrias do passado
Repetir frágeis realidades
Nos distancia do tempo eterno
Se calo, por compaixão
Sinto a mediocridade contida em mim
E nas comportas da emoção
Liberto-me assim
Observo-me
Por nada negar internamente
Sapiência e idiotice fazem-me inteira
Na convivência entre os opostos
Sinto-me humana
Sobre humana sou
No ato de me observar
Horas perdendo
Outras ganhando
Omitindo ou revelando
A aparência é pura ilusão!

Quando perdi
Cai nas profundezas de mim
Me encontrei
Na euforia ganhando
Perderei outra vez?

Sem me identificar com o vencedor
Nem com o perdedor
Entrego-me a existência
Que me abraça e faz vibrar
Calando verdadeiramente
Os vãos pensamentos
Que julgam, concluem e se repetem

Eu sou vocês
Idiotas homens sábios
Calo no mundo
Conscientemente falando
Para penetrar em corações
Tumultuados de tantos desejos em vão

.